O que é a recuperação de nutrientes do digestato?

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Um breve panorama sobre os macro nutrientes NPK, do biodigestor ao solo.

O que é a recuperação de nutrientes do digestato?
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Conceitos
Série de posts “Grânulos do Saber” 

O que é a recuperação de nutrientes do digestato?

Um breve panorama sobre os macro nutrientes NPK, do biodigestor ao solo.

Antes de abordarmos a recuperação de nutrientes do digestato, é importante conceituar dois pontos principais: digestato e NPK.

Afinal, o que é digestato?

Digestato é todo efluente obtido a partir de um reator anaeróbio, oriundo do processo anaeróbio para a produção de biogás. Corresponde ao material que já foi biodigerido¹ no biodigestor, sendo deslocado para fora após o seu período de retenção hidráulica (TRH) no biodigestor. Esse deslocamento ocorre no momento em que o sistema é abastecido com uma nova carga de substrato, por fluxo pistonado, forçando o efluente mais antigo para fora do reator ou então é removido por meio de bombeamento.

Esse efluente (digestato) tem uma quantidade significativa de nutrientes (NPK), que dependendo das características do efluente, das caracteristicas do solo onde será aplicado e da demanda nutricional cultura onde será aplicado, poderá ou não ser utilizado como fertilizante orgânico (biofertilizante) e complementar a aplicação de fertilizante químico (OLIVEIRA, 2004).

Sobre processos anaeróbios para produção de biogás, é importante refletirmos que todo biofertilizante é um digestato, porém, nem todo digestato poderá ser utilizado como biofertilizante”.

Regulamentação → É importante seguir as normas e regulamentos ambientais vigentes para o uso do digestato na agricultura.
O uso agronômico do digestato como fertilizante deve atender aos requisitos estabelecidos pelas legislações federal e estaduais, como as Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), com base em Portaria do Ministério do Meio Ambiente, Ministério da Saúde, legislações do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para reconhecimento e adequação do produto junto ao Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (SIPEAGRO). Entre os órgãos estaduais, é essencial e necessário atender aos requisitos estabelecidos, por exemplo,  pelas fundações, institutos e companhias de meio ambiente, conforme o órgão ambiental estadual de cada Estado da Federação.

¹ Biodigerido: refere-se a carga orgânica do efluente, no biodigestor, que já foi consumida pelos micro-organismos anaeróbios e convertida em biogás.

O que é NPK?

NPK é uma sigla usada para representar três nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas: Nitrogênio (N), Fósforo (P) e Potássio (K). São chamados de macronutrientes primários por serem usados em quantidades maiores pelas plantas em comparação com outros nutrientes.

Cada elemento tem funções específicas:

    • Nitrogênio (N): É crucial para o crescimento vegetativo, pois participa da formação de clorofila, essencial para a fotossíntese. Sua carência pode ser observada em folhas amareladas e crescimento lento.
    • Fósforo (P2O5): Auxilia no desenvolvimento das raízes, flores, frutos e sementes. Também participa da transferência de energia dentro da planta. A deficiência de fósforo pode dificultar o enraizamento e a produção.
    • Potássio (K2O): Atua na regulação da abertura e fechamento dos estomas (pequenas aberturas nas folhas), na fotossíntese e na resistência a doenças. A falta de potássio pode deixar as plantas mais suscetíveis a pragas e doenças e reduzir a qualidade dos frutos.

A proporção ideal de NPK varia de acordo com o tipo de planta, fase de desenvolvimento e condições do solo. Por isso, é importante realizar uma análise do solo antes de aplicar qualquer fertilizante.

Recuperação de Nutrientes do Digestato

A recuperação de nutrientes do digestato é um processo que visa extrair e concentrar os nutrientes presentes no efluente gerado a partir da biodigestão anaeróbica, chamado de digestato. Este efluente é rico em nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), essenciais para o crescimento das plantas. O processo de recuperação de nutrientes envolve técnicas como a remoção de sólidos, a concentração de nutrientes, e a produção de fertilizantes orgânicos ou biofertilizantes, que podem ser usados na agricultura como adubos ou corretivos de solo.

Como exemplo de sistema de recuperação de nutrientes podemos citar o Sistema de Tratamento de Efluentes da Suinocultura  (SISTRATES), um arranjo desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves para a remoção de matéria orgânica, nitrogênio e fósforo.

De acordo com KUNZ et al (2022), a recuperação de nutrientes NPK do digestato é um campo em constante desenvolvimento, com diversos processos em estudo e aplicação. As técnicas mais utilizadas podem ser divididas categorias principais, como a renoão de nitrogênio e fósforo:

    • Remoção de Nitrogênio → Tecnologias consolidadas para remoção biológica de nitrogênio são baseadas em processo de nitrificação, processo de desnitrificação e processo combinado de nitrificação e desnitrificação. Entre as tecnologias recentes para remoção biológica de nitrogênio podemos citar o Processo de nitritação parcial, o Processo Anammox e o Processos combinados de desamonificação.
    • Remoção de Fósforo → Os processos para remoção de fósforo podem ser classificados em químicos, físicos e biológicos. Em quase todos os processos, o fósforo removido é convertido em uma fração sólida, cuja pureza em teor de P depende do processo utilizado e também da composição do efluente que é tratado. Os principais processos utilizados para a remoção de fósforo do digestato são: Cristalização (processo químico), Processos físicos e EBPR (Enhanced Biological Phosphorus Removal). A remoção de fósforo por processos biológicos é feita por micro-organismos ou por alguns tipos de plantas aquáticas. O processo conhecido como EBP, vem sendo utilizando para a recuperação de fósforo, principalmente em efluentes de esgoto sanitário. Este processo consiste da bioacumulação intracelular de polifosfatos por organismos acumuladores de fosfato (processos de assimilação e desassimilação) em condições aeróbias e anaeróbias.

Referências consultadas

Dica de curso

Série de posts “Grânulos do Saber

O que são grânulos?

Sobre processos anaeróbios, em algumas condições há a formação de estruturas constituídas por micro-organismos anaeróbios, os grânulos anaeróbios.

Essas estruturas (aglomerados de diferentes micro-organismos) possibilitam de forma mais eficiente a transferência de nutrientes e favorecem a sobrevivência da comunidade microbiana.

Esses aglomerados de micro-organismos densamente agrupados contribuem para aceleração do processo de digestão anaeróbia, principalmente em lodos de reatores UASB.

Figura 1 -  Frascos reatores para cultivo de lodo granular anaeróbio.

Os grânulos anaeróbios são esferas muito pequenas e possuem uma vasta comunidade de seres vivos. Atuam na decomposição da matéria orgânica e possibilitam reciclagem de nutrientes.

Figura 2 - Frascos reatores com mistura de grânulos anaeróbios (pontos pretos) e substratos (conteúdo mais claro).

Seguindo o conceito sobre “pequenas pérolas com conteúdo adensado” o Portal Energia e Biogás publica uma série de posts “Grânulos do Saber” -  pequenos posts para contribuir com disseminação de informações sobre processo de produção de biogás.

Acompanhe sempre o nosso conteúdo específico sobre a ciência por trás do processo anaeróbio e produção de biogás.

Em breve novos posts “Grânulos do Saber”.
Até logo!

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