Aggreko e o futuro do Biogás no Brasil

Sidnei Guimarães, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Aggreko discorre sobre a atuação da Aggreko e as perspectivas futuras do biogás.

Aggreko e o futuro do Biogás no Brasil
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Entrevista

Aggreko

Aggreko e o futuro do Biogás no Brasil

Sidnei Guimarães, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Aggreko discorre sobre a atuação da Aggreko e as perspectivas futuras do biogás.

Foto: Divulgação / Aggreko

Com objetivo de expandir novos projetos e diversificar o modelo de negócio, recentemente a Aggreko abriu um processo de seleção de projetos para investimentos, buscando parceiros para gerar eletricidade a partir de resíduos sólidos urbanos, resíduos do agronegócio e de efluentes.
Em entrevista ao Portal Energia e Biogás, Sidnei Guimarães, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Aggreko, contou um pouco sobre a atuação da Aggreko no Brasil e no Mundo, falou sobre alguns pontos estratégicos para a expansão do biogás na matriz energética brasileira.
Durante a entrevista, abordamos diversos pontos como: a crise hídrica, a nova lei do gás, Geração Distribuída – Lei 14.300/2022, descarbonização, Net Zero, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e environmental, social and governance (ESG). Temas atuais e importantes, dos quais muitos estiveram presente na pauta dos debates na 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021 (COP26).


Qual é o histórico de atuação da Aggreko no mundo?

A Aggreko foi fundada em 1962 na Escócia. Hoje, é líder global no fornecimento de energia modular móvel, controle de temperatura e serviços, com uma frota de energia elétrica de 10 GW. 

 Com mais de 6.000 funcionários, conta com uma fábrica no Reino Unido e vários Centros de Distribuição e Escritórios espalhados pelo mundo. Em 2020, sua receita foi de aproximadamente 1,36 bilhão de libras esterlinas. 

 A empresa atua na vanguarda de um mercado em rápida transformação e oferece soluções de geração de energia modulares, econômicas, flexíveis e mais ecológicas em todo o mundo. 

 Aggreko tem um alcance global, atua em vários setores: Óleo & Gás, Mineração e utilities. Os seus equipamentos têm máxima flexibilidade de combustível, usando fontes renováveis (Landfill Gas, Biogás, HVO e Hidrogênio), além do gás natural e diesel. A empresa também oferece soluções de microgrid e de armazenamento de energia.

Quando iniciou as operações da Aggreko no Brasil?

No Brasil, iniciou sua operação em 2003, em Macaé, com contratos de fornecimento de energia para sondas de perfuração no setor de Óleo & Gás.

 Ao longo de quase 20 anos no Brasil, a empresa tem ampliado sua atuação e atualmente conta com aproximadamente 350 MW em operação, fornecendo energia para grandes empresas nos setores de gás e petróleo, mineração e concessionárias de energia nos Sistemas Isolados e no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Quantos colaboradores a Aggreko possui no Brasil? 

Possuímos cerca de 540 funcionários atuando aqui no Brasil. No mundo somos mais de 6 mil funcionários permanentes.

Foto: Divulgação / Aggreko

Na área de biogás, quantos projetos já desenvolveram e qual a capacidade instalada de produção de biogás no Brasil e no Mundo? 

Projetos de Biogás no Brasil: Em aterros sanitários, a Aggreko tem 25 MW contratados, sendo 12.5 MW em operação. Estamos desenvolvendo projetos de biodigestão anaeróbia a partir de vários substratos, para produção de biogás e geração de energia elétrica.

 Recentemente, a empresa fez uma chamada de investimento para o setor de Biogás no Brasil.

 Projetos de Biogás no Mundo: Aggreko possui projetos de biogás em operação em diversos países, entre eles Brasil, Argentina, Tailândia, entre outros. 

Nos futuros projetos, quais serão os impactos de fatores como: 

  • A crise hídrica, o aumento dos custos de energia elétrica no Brasil, assim como, o aumento do preço dos combustíveis fósseis? 

As termelétricas ajudarão na recuperação reservatórios nos próximos anos, trazendo assim maior segurança energética para o Brasil. Os aumentos nos preços dos combustíveis fosseis poderão ocasionar um impacto maior no custo de energia elétrica.

 

  • A Nova lei do gás - regulamentação da Lei do Gás (Lei 14.134)?

Consideramos que A Nova Lei do Gás Natural estimulará a entrada de novos players, aumentando assim a disponibilidade deste combustível; o que deve promover a competividade e proporcionar redução no preço do gás natural.

Acreditamos que os investimentos na produção de O&G continuam indispensáveis para garantir a demanda energética nas próximas décadas.

Aggreko está ajudando os campos de exploração onshore e offshore na monetização do gás. Com um foco global na redução da queima liderada por iniciativas como a Global Gas Flaring Reduction Partnership (GGFR) do Banco Mundial, a Aggreko emergiu como líder global em gás de queima para soluções de geração de energia. Até o momento, a empresa entregou mais de 210 projetos em todo o mundo.

A Aggreko impulsionou o seu crescimento ao alavancar a sua experiência de geração de energia modularizada a partir a partir de gás de petróleo associado (GAP) e chegou a 2 GW de capacidade instalada para produção de energia a partir do GAP e prevê um crescimento em especial no Brasil, após a nova Lei do Gás.

 

  • O Marco legal da geração distribuída – Lei 14.300/2022?

 Acreditamos que a aprovação do Marco Legal da GD (Lei 14.300/2022, publicada na sexta-feira (07 de janeiro de 2022) no Diário Oficial da União) poderá afetar a   viabilidade de projetos de biogás, principalmente os de pequeno e médio porte. Isso porque os biorreatores, a usina de geração de energia e conexão de rede, requerem altos investimentos, sem contar no Opex elevado. 

Porém, a expectativa é que outros incentivos sejam oferecidos ao mercado para equilibrar os possíveis impactos negativos decorrentes da implementação do Marco Legal. 

Vale ressaltar que o biogás proporciona muitos atributos para o setor elétrico. Ele atua como serviços auxiliares, o que posterga os investimentos das distribuidoras e torna o planejamento energético mais eficiente. Por ser uma fonte despachável, tem entre seus benefícios possibilitar às companhias a diversificação da matriz energética e a descarbonização. Portanto, a valoração dos atributos do biogás poderá tornar os projetos de biogás mais atrativos para investidores, mesmo após aprovação final do Marco Legal da GD.

 

  • A Descarbonização, Net Zero, ODS e ESG?
    • Estamos, junto com nossos clientes, colaboradores e parceiros, em uma jornada colaborativa. Temos como objetivo final sermos uma empresa com balanço energético zero em todos os serviços que fornecemos até 2050.
    • Para isso, nos comprometemos com três objetivos principais na próxima década. Até 2030, a Aggreko vai:
      • Reduzir a quantidade de óleo diesel fóssil utilizado nas soluções do cliente em pelo menos 50%, oferecendo aos clientes tecnologias e combustíveis mais limpos que garantam o mesmo ou melhor nível de confiabilidade e competitividade.
      • Reduzir em nossas soluções as emissões locais que afetam a qualidade do ar também em 50% (isso abrange todas as emissões de diesel, gás e outros combustíveis).
      • Atingir o Net Zero em nossas próprias operações comerciais.
    • Faremos muito mais entre agora e 2050. Nossa evolução energética será impulsionada com a troca de nossa frota global para combustíveis líquidos e gás mais ecológicos. Há muitos caminhos a serem explorados à medida que avançamos em direção ao nosso objetivo de balanço energético zero, como o potencial dos e-fuels, motores a hidrogênio e células de combustível.
    • Nossa nova estratégia é ambiciosa, mas possível. Nossa experiência e conhecimento técnico nos dão a base perfeita para reduzir nossa própria pegada ambiental e a de nossos clientes.

Como a Aggreko pode auxiliar empresas (que possuem resíduos orgânicos com passivos) ou produtores rurais (bovinocultura de leite, suinocultor, entre outros)  a tornarem-se mais sustentáveis? 

Aggreko poderá ajudar empresas que possuem resíduos orgânicos, transformando o passivo ambiental em ativo energético por meio da biodigestão anaeróbia e geração de energia elétrica. Dessa forma, contribui com o compromisso assumidos na COP26 de reduzir as emissões de metano, tornando o projeto mais sustentável.

A Aggreko é uma empresa que investe em projetos de biogás e com modelos de negócio flexíveis. 

Quais os mecanismos que o governo brasileiro poderia desenvolver para incentivar a expansão do biogás?

O Biogás é um ativo energético que proporciona benefícios sociais, benefícios ambientais, contribui com desenvolvimento econômico e regional, colabora com segurança energética e aporta no setor elétrico. Porém, não há uma coordenação intersetorial de políticas públicas em prol dos benefícios do biogás.

 O governo brasileiro deveria ter uma coordenação intersetorial para mapear as contribuições deste ativo energético em todos os setores e desenvolver políticas públicas para valoração dos atributos.

Entre as soluções na área de biogás, qual é a mais demanda pelos clientes? Como está a participação de mercado da Aggreko no Brasil para o setor de biogás (projetos de geração distribuída, projetos para mercado livre (ACL), projetos para mercado regulado (ACR), produção de biometano para mercado de gás ou para mobilidade)? 

Todos os projetos de bioenergia no Brasil são de Landfill Gas. Estamos estruturando projeto de biogás por meio de resíduos da agropecuária e afluentes das agroindústrias.

Temos projetos em operação em aterros sanitários, com parceiros estratégicos no Brasil, no qual o Landfill Gas está sendo monetizado através da MMGD e ACL.

Foto: Divulgação / Aggreko

Como a Aggreko pode auxiliar diversas instituições e empresas que possuem resíduos e ainda não produzem biogás?

O Biogás é estratégico no processo de transição energética e será essencial na criação de um mercado global de carbono, ajudando empresas e países a reduzir as suas emissões.

Abrimos um processo para selecionar parceiros estratégicos, fornecedores de biomassa e/ou biogás para construção de centrais de geração de energia elétrica a biogás, com no mínimo 1 MW de potência, em todo território brasileiro. Isso significa estruturar parcerias por meio de sociedade (Consórcio ou SPE), nas quais a Aggreko investe 100% ou parcialmente no Projeto.

Aggreko também pode alugar a usina turn-key ou grupo gerador, ambos incluindo operação e manutenção. Entre os benefícios para o cliente  em optar pela locação de equipamentos está o fato de poder contar com novas tecnologias sem realizar dispêndio de capital. Um exemplo é a solução de geradores capazes de usar gás de aterro como combustível.

Além de produzir energia elétrica renovável a partir do gás de aterro sanitário ou biogás, a Aggreko pode contribuir com a redução das emissões de gases do efeito estufa com projetos desenvolvidos com parceiros e clientes. Estas ações ajudarão o Brasil a atingir o objetivo assumido durante a COP26: de reduzir 30% das emissões globais de metano até 2030 em comparação às emissões de 2020.

Sobre a AGGREKO:

A Aggreko é líder global no fornecimento de energia modular móvel, controle de temperatura e serviços de energia. A empresa atua na vanguarda de um mercado em rápida transformação e é voltada a resolver os desafios de seus clientes para fornecer soluções econômicas, flexíveis e mais ecológicas em todo o mundo.

Por meio da inovação, fornece equipamentos portáteis para diversos usos, o que mantém o alcance global da companhia. Oferece soluções tanto para projetos industriais e comerciais exclusivos, como para serviços públicos e de ajuda humanitária. Leva expertise e equipamentos para qualquer local, das cidades mais movimentadas aos lugares mais remotos do planeta. 

www.aggreko.com

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