Qual será o futuro do biogás? Ep 4 - Cícero Bley Jr.

Nesse 4º episódio temos o prazer de destacar a visão do Cícero Bley Jr., CEO da Bley Energias - Estratégias e Soluções, que respondeu a seguinte questão: “Qual será o futuro do biogás para uma matriz energética mais sustentável no Brasil?”

Qual será o futuro do biogás? Ep 4 - Cícero Bley Jr.
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Série Especial

O Futuro do Biogás

4º Episódio - Biogás, passado, presente e futuro

Qual será o futuro do biogás para uma matriz energética mais sustentável no Brasil?

Para responder a essa pergunta, o Portal Energia e Biogás convidou diferentes especialistas do setor do biogás  para falar um pouco sobre desafios futuros e oportunidades.
Neste quarto episódio da Série “O futuro do biogás” temos o prazer de destacar a visão do Cícero Bley Jr. - CEO Bley Energias - Estratégias e Soluções, Fundador do Centro Internacional do Biogás - CIBiogás no Parque Tecnológico de Itaipu, Fundador e Presidente Emérito da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano - ABiogás, que respondeu a seguinte questão:

“Qual será o futuro do biogás para uma matriz energética mais sustentável no Brasil?”

Cícero Bley Jr.
CEO da Bley Energias - Estratégias e Soluções

Cícero Bley Jr. - Diante da clássica segmentação de mercados promissores em produção de biogás no país, a partir da digestão anaeróbica de resíduos orgânicos, o setor cana-de-açúcar dispara rumo a enormes empreendimentos, objetivando encontrar viabilidade na escala de produção. Logo a seguir, o setor da proteína animal, potencial de biogás cerca de 20% do setor cana, caracterizado por produtores rurais pequenos, médios e grandes, encontra seríssimas restrições para avançar.

O exitoso Programa Renova Paraná, lançado no início do ano pelo IDR Secretaria de Agricultura do Paraná,  tendo movimentado desde março deste ano cerca de R$ 800 milhões em financiamentos para produtores, mostra insofismável avanço da energia solar, para cujos projetos aplicou mais de 85% do montante geral e preocupantes 15% de projetos de biogás. Sendo desses a maioria focado em geração elétrica. Somente 2 projetos em biometano veicular foram financiados e encontram-se em implantação. Quadro revelador das dificuldades da progressão do biogás neste setor e mais ainda revelador do abandono técnico em que se encontram os produtores rurais de proteína animal, acumulando frustrações.

Para quem acompanhou a entrada do biogás nos anos 70 no panorama agroeconômico brasileiro junto com os híbridos de milho e de pequenos animais (aves e suínos) e as frustrações sucessivas encontradas por integradoras e integrados diante das questões difíceis relacionadas com biogás, não é para se desistir diante deste quadro. Mas sim, é urgente reagir para encontrar o caminho real que possa levar o biogás a se tornar um fator real de produção providenciando suprimentos energéticos setoriais, tanto elétricos, quanto térmicos, quanto combustíveis.

E qual é esse caminho? Certeza que vai além da dimensão do saneamento das atividades com animais estabulados. Ainda que seja um importante ativo econômico para viabilizar a sustentabilidade das atividades de produção com número cada vez maior de animais confinados em espaços cada vez menores. O biogás não é só isso. Na realidade, a biodigestão anaeróbica de resíduos não é só produtora de biogás. Além desse composto gasoso com pelo menos dois gases de alto valor comercial, o biometano (CH4) e o gás carbônico (CO2), ainda na mesma ação de degradação dos sólidos voláteis, produz digestato, um composto líquido, contendo nutrientes vegetais não consumidos nos processos biológicos de degradação da matéria orgânica. E ainda solúveis no digestato pode-se encontrar os nutrientes biofósforo e bionitrogênio e ainda ácidos húmicos e fúlvicos de alto valor na nutrição de plantas.

O biogás, assim como o digestato, seu irmão líquido, formam uma plataforma para suprimento de produtos bioquímicos orgânicos de valor absurdamente alto e estratégico para garantir a oferta de alimentos.

Então, pode-se olhar para um futuro da biodigestão anaeróbica de resíduos orgânicos, com uma perspectiva de sustentabilidade ambiental, já evidente e concreta, a sustentabilidade econômica com produtos recuperados das fases gasosa e líquida do processo e consequentemente social, com a economia circular completamente evidente caso tenhamos competência para aprender com nossos erros e projetar em suas superações as ações que ainda não fomos capazes de desencadear.

Sobre:

Cícero Bley Jr. - CEO da Bley Energias - Estratégias e Soluções. Apoiador Técnico/Technical Advisor do Conselho Temático de Energia da Federação das Indústrias do Paraná. Tem graduação em Agronomia - UFPR (1971); Mestrado em Eng Civil. Gestão Territorial Urbana e Rural - UFSC (2006); Especialidade: Estratégias em Energias Renováveis e Sustentabilidade; atuou como Superintendente de Energias Renováveis - Itaipu Binacional, de 2004 a 2016; Fundador do CIBiogás - Centro Internacional do Biogás  no Parque Tecnológico de Itaipu; Fundador do Centro Internacional de Hidroinformática. Itaipu/Unesco; Fundador e Presidente Emérito da ABiogás - Associação Brasileira do Biogás e do Biometano.

Série Especial - O Futuro do Biogás

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